Defensoria Pública abre campanha Setembro Amarelo com foco na saúde mental da pessoa idosa

    A Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE/MA) deu início, nesta sexta-feira (11), à campanha “Setembro Amarelo: valorizar a vida é reconhecer histórias”, com uma programação voltada à conscientização sobre a prevenção ao suicídio, à promoção da saúde mental e à valorização da vida, especialmente entre a população idosa. A abertura ocorreu no Centro de Referência Especializado de Atenção Integral à Saúde da Pessoa Idosa do Maranhão (Creaispi), no bairro Cohab Anil IV, em São Luís.

    O encontro reuniu pessoas idosas, profissionais da área, representantes de instituições que integram a Rede Nacional de Defesa e Proteção da Pessoa Idosa (Renadi) e integrantes da Defensoria Pública. A programação contou com a roda de conversa “Valorizar a vida é reconhecer histórias, fortalecer vínculos e renovar esperanças”, conduzida pelos psicólogos Francisco Richard Lima Silva e Maricilde Lima Pinto. A mediação da mesa foi realizada pela coordenadora do Centro Integrado de Apoio e Prevenção à Violência contra a Pessoa Idosa (Ciapvi), Isabel Lopizic.

    A campanha representa uma oportunidade de ampliar o debate sobre saúde mental e fortalecer a rede de cuidado. Quando falamos em prevenção ao suicídio, precisamos falar também sobre escuta, pertencimento e respeito à trajetória de cada pessoa idosa. Muitas vezes, situações de solidão, abandono, violência ou perda de autonomia vão se acumulando silenciosamente. Nosso papel é criar espaços em que essa pessoa possa ser ouvida, acolhida e reconhecida em sua dignidade. Valorizar a vida passa, necessariamente, por reconhecer histórias”, destacou Isabel.

    O evento também teve momentos culturais, com apresentação do coral do Creaispi, sob a regência do maestro Francisco Newman, e uma apresentação especial da bailarina Walda Tereza Dias, de 69 anos. Praticante de balé desde os quatro anos de idade, Walda levou ao público uma demonstração de que a arte, o movimento e a paixão pela vida podem acompanhar a pessoa em todas as fases da existência.

    Eu danço balé desde os quatro anos e, aos 69, continuo encontrando na dança uma forma de expressar aquilo que sinto e de celebrar a vida. A idade não deve ser vista como um limite para os nossos sonhos. Enquanto a gente tiver vontade, saúde e oportunidade, precisamos continuar vivendo, criando e fazendo aquilo que nos traz alegria”, afirmou Walda Tereza Dias.

    A iniciativa ganha ainda mais relevância diante do processo de envelhecimento da população maranhense e dos desafios relacionados à saúde mental, à garantia de direitos e à prevenção das diferentes formas de violência contra a pessoa idosa.

    Dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que 821.961 pessoas com 60 anos ou mais vivem no Maranhão, o equivalente a aproximadamente 12,1% da população do estado. Os indicadores relacionados ao suicídio também reforçam a necessidade de ações específicas. Levantamento epidemiológico realizado com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS) identificou, entre 2009 e 2019, uma taxa média de 5,8 suicídios por 100 mil habitantes entre maranhenses com 60 anos ou mais. O índice ficou acima dos registrados entre as faixas etárias de 20 a 39 anos (5,4) e de 40 a 59 anos (4,9) no mesmo período.

    Iniciativas de prevenção precisam estar associadas à garantia de direitos e ao fortalecimento das relações sociais. Defender direitos também significa olhar para as condições que permitem que uma pessoa idosa tenha uma vida digna, segura e com perspectiva de futuro. A prevenção ao suicídio não pode ser tratada de forma isolada. Ela envolve saúde, convivência familiar e comunitária, proteção contra a violência e acesso aos serviços públicos. A Defensoria tem o compromisso de atuar para que a pessoa idosa seja respeitada, ouvida e protegida”, ressaltou o defensor público Cosmo Sobral, titular do Núcleo do Idoso e da Pessoa com Deficiência.

    A mudança no perfil etário do Maranhão também é destacada no Plano Estadual de Saúde 2024–2027. Segundo o documento, a proporção de pessoas idosas na população estadual passou de 7,88% em 2013 para 10,11% em 2022. O plano registra ainda diferentes formas de violência contra a população idosa, entre elas negligência, violência psicológica, abuso financeiro, violência física, autonegligência e abandono.

    Além da abertura realizada nesta sexta-feira, a programação da campanha terá continuidade nos dias 15 e 17 de setembro, com oficinas terapêuticas destinadas a pessoas idosas no Instituto de Previdência de São José de Ribamar.

    Promovida pela Defensoria Pública, por meio do Ciapvi, a campanha “Setembro Amarelo: valorizar a vida é reconhecer histórias” conta com a parceria de instituições e entidades que integram a Rede Nacional de Defesa e Proteção da Pessoa Idosa (Renadi). A proposta é ampliar os espaços de diálogo e conscientização, fortalecendo ações de prevenção, acolhimento e proteção da população idosa.

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