DPE/MA lança campanha “Junho Violeta” e alerta para mais de 250 casos de violência dos 600 atendimentos a idosos só nos 5 primeiros meses do ano

    Com o objetivo de conscientizar a sociedade e combater todas as formas de violência contra a população idosa, a Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE/MA) realizou, nesta segunda-feira (15), o lançamento da campanha “Junho Violeta”. O evento, que lotou o auditório Ada Valentina, na sede da instituição em São Luís, reuniu assistidos, movimentos sociais, servidores e autoridades em torno de uma pauta urgente: a garantia de direitos e a proteção da ancestralidade.

    A abertura dos trabalhos foi conduzida pela 1ª subdefensora pública-geral do Maranhão, Elainne Barros, que destacou o papel proativo da Defensoria na rede de proteção ao idoso. "O ‘Junho Violeta’ não é apenas uma data no calendário, mas uma convocação para que toda a sociedade olhe para os idosos com o respeito que eles merecem. A Defensoria Pública reafirma, com esta campanha, seu compromisso de ser portas abertas para acolher, orientar e, acima de tudo, cessar qualquer ciclo de violência. Cuidar dessa população é um dever de dignidade humana", pontuou Elainne Barros.

    Também participaram da mesa de abertura os defensores públicos titulares do Núcleo do Idoso, Vinícius Goulart e Cosmo Sobral; o promotor de Justiça do Idoso, Alenilton Santos; a coordenadora do Centro Integrado de Apoio e Prevenção à Violência contra a Pessoa Idosa (Ciapvi) da DPE/MA, Isabel Lopizic;  a ouvidora-geral da DPE/MA, Naisandra Mota, o vereador de São Luís, Raimundo Penha; o representante da Uniti e presidente da Associação Nacional de Gerontologia no Maranhão, Rafael Lima; e o diretor do Ifma Campus Centro Histórico de São Luís, Nataniel Mendes.

    O Centro Integrado de Apoio e Prevenção à Violência contra a Pessoa Idosa (Ciapvi) da Defensoria Pública, registrou, entre janeiro e maio de 2026, um total de 635 atendimentos. Os dados mostram que a busca por orientação jurídica e a regularização de documentação lideram as demandas, mas os casos de violações de direitos continuam gerando alerta máximo. De acordo com os números detalhados, o Ciapvi recebeu 286 atendimentos para orientação de idosos (45,04 % dos atendimentos); 95 atendimentos para documentação (14,96 % dos atendimentos); 77 registros de negligência (12,13%); 66 casos de abuso financeiro (10,39%); 42 atendimentos sobre violência psicológica (6,61%); 15 registros de violência física (4,72%); 30 atendimentos de abandono (3,62% dos atendimentos); 23 atendimentos de autonegligência (2,36%) e 1 caso de violência patrimonial (0,16%).

    A coordenadora do Ciapvi, Isabel Lopizic, analisou o cenário traçado pelo relatório e reforçou a importância do canal de denúncia e acolhimento. "Os números dos primeiros cinco meses deste ano revelam que a negligência e o abuso financeiro continuam sendo fantasmas terríveis na vida de muitos idosos, frequentemente ocorrendo dentro do próprio ambiente familiar. No Ciapvi, nós não tratamos esses dados apenas como estatística, mas como vidas que precisam de socorro e emancipação. Estamos intensificando nossas ações para desarmar essas violências antes que elas se consolidem", afirmou a coordenadora.

    Após as falas institucionais, o público acompanhou a palestra “Tecnologias e Ancestralidade para o Enfrentamento às Violências contra a Pessoa Idosa”, ministrada pelo Dr. Régis Costa de Oliveira. Professor do IFMA e da pós-graduação em Artes Cênicas da Ufma, e doutor em Artes pela Universidade de Lisboa, o palestrante trouxe reflexões fundamentais sobre a inclusão digital e a prevenção a golpes. Especialista em inteligência artificial e mídias digitais, o professor deu dicas práticas de segurança, ensinando os idosos presentes a identificarem armadilhas no ambiente virtual, como mensagens falsas, golpes de pix e links suspeitos, sem que precisem se afastar das tecnologias.

    "Unir tecnologia e ancestralidade significa usar as ferramentas mais modernas do nosso tempo para blindar e valorizar quem carrega a nossa memória. A exclusão digital também é uma forma de violência. Precisamos instrumentalizar a pessoa idosa para que ela navegue com autonomia e segurança, sabendo identificar fraudes e proteger seu patrimônio e sua mente nesse ecossistema do metaverso, da inteligência artificial e das redes sociais", explicou o Dr. Régis Costa de Oliveira.

    O evento de lançamento do “Junho Violeta” também foi marcado por momentos de celebração da vida e da cultura maranhense. O público se emocionou com as apresentações musicais dos corais do Centro de Referência Especializado de Atenção Integral a Saúde da Pessoa Idosa do Maranhão (Creaispi) e Vozes de São José, que sob a regência sensível do maestro Chico Newman, trouxeram clássicos do cancioneiro popular. Para fechar a programação com chave de ouro e muita energia, a sede da DPE/MA virou palco para a vibrante apresentação do Boi Novilho de Luz, projeto da Universidade Integrada da Terceira Idade (Uniti), que contagiou a todos com a força do bumba meu boi maranhense.

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