Defensoria participa de discussões sobre literatura e encarceramento feminino 19ª Feira do Livro de São Luís

    A Defensoria Pública do Estado (DPE/MA) marcou presença na 19ª Feira do Livro de São Luís (Felis), na última terça-feira (22), integrando a programação da Secretaria Municipal da Mulher (Semmu). O evento promoveu a roda de conversa “Da escrita que liberta aos ecos que transformam: mulheres, cárcere e recomeços”, na qual foram debatidas as obras “Tudo que eu não disse: experiência do Projeto Escrita que Liberta” e “Ecos do Cárcere: experiências de mulheres no sistema prisional brasileiro”.

    A palestra foi ministrada pelas defensoras públicas Julyana Patrício, uma das organizadoras do livro “Tudo que eu não disse", e Suzana Camillo, coautora da obra “Ecos do Cárcere".
    A programação promoveu reflexões sobre escrita, mulheres, sistema prisional e recomeços, fortalecendo espaços de diálogo e visibilidade para histórias que precisam ser ouvidas.  Essas obras são produtos de projetos da Defensoria, desenvolvidos pelo Núcleo de Execução Penal da DPE/MA e escritos por mulheres que trabalham no sistema prisional e por egressas, em parceria com outros órgãos e instituições do sistema de justiça.

    Segundo a defensora pública Julyana Patrício, os projetos buscam incentivar a literatura e a escrita como ferramentas de expressão e fortalecimento para mulheres que passaram pelo cárcere. “Essas mulheres precisam ser reinseridas na sociedade, considerando os estigmas e desafios que as acompanham. A escrita também é uma forma de dar visibilidade às suas histórias e permitir que elas sejam protagonistas das próprias vivências”, destacou.

    Com a proposta de trazer reflexões sobre justiça restaurativa, leitura no cárcere, trabalho pós-prisional, dignidade humana e reconstrução de trajetórias de vida, esses livros têm um papel importante na formação de caminhos reais de autonomia para construir um futuro para além da pena.

    A defensora pública Suzana Camillo destacou a relevância da iniciativa. “Essas mulheres que ganharam protagonismo ao escrever, agora fora do cárcere, passam a ter voz e a serem atrizes da própria história. Deixam de figurar como meros objetos de pesquisa para se tornarem sujeitos capazes de influenciar políticas públicas por meio da narrativa de suas próprias vivências”.

    O encontro reuniu diversos membros da DPE/MA, dentre eles o ex-defensor público-geral Gabriel Furtado, que também participou das discussões sobre a importância de iniciativas voltadas à literatura, à escuta e à reinserção social de mulheres que passaram pelo sistema prisional.

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