Prevenção e acolhimento: Defensoria Pública apresenta cartilha de psicoeducação no ambiente de trabalho
Em uma escala global, 1,3% de todas as mortes têm o suicídio como causa — um índice que supera o total de vidas interrompidas por conflitos de guerra, homicídios, malária, HIV/aids e câncer de mama. Quando o recorte geracional foca em jovens de 15 a 29 anos, o autoextermínio figura como a quarta maior causa de morte no mundo, ficando atrás apenas de acidentes de trânsito, homicídios e tuberculose. Além disso, estima-se que a frequência de tentativas seja de 10 a 20 vezes superior à do suicídio consumado.
Diante desse cenário urgente e sensível, a Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE/MA) deu um passo histórico rumo ao cuidado interno com o lançamento da cartilha "Psicoeducações sobre Violência Autoprovocada". A solenidade ocorreu, na manhã desta sexta-feira (16), no auditório Ada Valentina, e marcou o compromisso institucional de que cuidar de quem cuida dos direitos da população é também uma forma essencial de transformar vidas.
Idealizada pela psicóloga organizacional e do trabalho Dávila Jucá Aranha e acompanhada pela diretora da Escola Superior da Defensoria (Esdep), Maiele Morais, e pela 1ª subdefensora-geral Elainne Barros, a publicação chega como um instrumento prático de acolhimento, sensibilização e valorização profissional. O prefácio foi produzido pela defensora-geral do Estado, Cristiane Marques.
"A cartilha é um marco nas atividades de saúde da Defensoria Pública e do país. Olhar para a saúde mental é olhar para a vida com cuidado, responsabilidade e ética", destacou a psicóloga Dávila Jucá. Ela ressaltou que, embora o foco seja a prevenção do suicídio e da automutilação, a publicação abrange diversos temas, pois "educação para a morte é, na verdade, educar para o bem viver."
Além das organizadoras da cartilha, o evento de lançamento reuniu autoridades e gestores, dentre elas a vice-presidente da Associação dos Defensoras e Defensores Públicas do Maranhão (Adepma), Suelen Rosa Weber e o procurador do Estado e diretor da Escola de Advocacia Pública da PGE/MA, Edilton Lima.
Maiele Morais enfatizou a relevância prática da publicação para o cotidiano institucional. "Esta cartilha vai trazer informações sobre sinais, indicações e comportamentos de pessoas que possam estar passando por esse tipo de problema aqui na nossa instituição, seja entre nossos colaboradores, servidores ou defensores. E essa é uma das iniciativas e uma das formas que a Defensoria tem de cuidar e valorizar o seu público interno", afirmou.
Acolhimento - Durante a cerimônia, destacou-se que uma instituição voltada para a defesa de direitos fundamentais precisa, obrigatoriamente, voltar o olhar para a saúde mental de seus próprios integrantes. Os intercâmbios psíquicos ganharam centralidade nos debates contemporâneos, exigindo o desenvolvimento de competências socioemocionais saudáveis e posturas éticas e dignas nas diversas esferas da sociabilidade, com destaque para o ambiente de trabalho.
A cartilha é encabeçada pela trajetória técnica de Dávila Jucá, graduada pela Universidade Ceuma e pós-graduada em Sexologia Aplicada pelo Instituto Paulista de Sexualidade. Com atuação vinculada à Divisão de Qualidade de Vida no Trabalho (QVT), Jucá coordena importantes ações na DPE como rodas de conversas comunitárias, grupos terapêuticos e programas de educação socioemocional voltados ao bem-estar dos servidores e membros.
Dividida em quatro eixos temáticos principais, a cartilha aborda desde terminologias basilares — diferenciando conceitos como autoagressão, ideação suicida, plano e tentativa — até a identificação de fatores de risco psicossociais no ambiente de trabalho e sinais de alerta. O material também oferece orientações práticas sobre o ensejo de ajuda, detalhando o uso da comunicação não-violenta, a escuta qualificada, os limites de atuação e os fluxos de encaminhamento, além de apresentar uma rede de apoio completa com contatos de ajuda profissional gratuita para os servidores e membros.
Mais do que um compilado informativo, os capítulos do material oferecem diretrizes técnicas, científicas e éticas sobre a saúde mental ocupacional. Com uma linguagem acessível e foco na prevenção, a publicação busca democratizar o conhecimento básico necessário para que a escuta, a reflexão e a empatia façam parte da rotina institucional, combatendo o estigma e promovendo a valorização da vida.