Acolhendo mulheres pós-cárcere, Programa Iyá apresenta balanço de 2025 e amplia rede de apoio

    “Decidi comunicar as meninas que eu deixei de ser amadrinhada e, a partir de hoje, sou madrinha do programa”, o relato é da auxiliar administrativa Dóris Lima, egressa do sistema prisional e integrante do programa Iyá: Amadrinhe um Recomeço, e foi feito no último sábado (28), durante o 5º Encontro, realizado na sede da Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE/MA). O Iyá é uma iniciativa interinstitucional do sistema de Justiça que visa oferecer suporte material e mentoria, para que mulheres que retornam do cárcere reconstruam suas vidas e laços familiares.

    Além de Dóris, cerca de 50 outras mulheres foram acompanhadas pelo programa em 2025, quando iniciaram os trabalhos, que tem como foco assistidas beneficiadas pela saída temporária (regime semiaberto), domiciliar em virtude da concessão de trabalho externo, no regime aberto ou livramento condicional, ou que já cumpriram a sua pena.

    O exemplo de Dóris inspira outras mulheres assistidas pelo programa. Durante os nove anos que esteve no sistema prisional, fez graduação, pós-graduação e foi aprovada em mestrado. Aqui fora, o Iyá foi fundamental para ajudar na reintegração e, hoje, estabilizada, quer ajudar outras mulheres. “Eu participei de todas as reuniões em 2025 e recebi cestas básicas, que ajudaram a me manter. Agora, além do mestrado, eu também trabalho e tenho uma organização financeira, quero ajudar outras egressas e mostrar que é possível”, contou Dóris.

    Balanço

    Desde que iniciou, o Iyá tem auxiliado a vida de muitas famílias. A iniciativa convida qualquer pessoa interessada a participar como madrinha ou padrinho, colaborando com a reconstrução de histórias de vida. O Programa Iyá oferece duas modalidades de amadrinhamento, a partir do suporte material, com doação mensal de uma cesta básica entregue em pontos oficiais; e do vínculo e mentoria, com apoio de tempo, escuta e orientação.

    No último evento do grupo, foi feito um levantamento de tudo o que foi realizado e traçar novas metas. “Estamos aqui hoje para o 5º Encontro do programa Iyá e fizemos uma retrospectiva de tudo o que conseguimos realizar de acolhimento com essas mulheres em 2025 e uma projeção para 2026. Muitas vidas foram impactadas nessa grande corrente e muito ainda está por vir”, pontuou a defensora pública com atuação no Núcleo de Execução Penal (NEP), Suzana Camillo.

    O balanço apresentado no evento, apontou números expressivos que mostram como a realidade de egressas do sistema prisional pode mudar com garantia de oportunidade. 20 dessas mulheres passaram por capacitação de Pintura Industrial pela empresa PPL; outras três fizeram curso de Lash Desiner para cílios; quatro integrantes participaram do projeto Wonder Woman, que já capacitou mais de 400 mulheres por todo o Maranhão em temas como empreendedorismo, gestão de negócios e inteligência emocional; também foram entregues sete cadeiras de manicure, por doação feita pelo Governo do Maranhão, fruto de mão de obra carcerária.

    O programa

    O nome Iyá é de origem do iorubá e significa “mãe”, simbolizando cuidado, proteção e sabedoria. E abraça o objetivo do projeto, que é restaurar dignidade, combater a invisibilidade e construir laços familiares de mulheres que, ao retornar à sociedade, enfrentam com o estigma e as barreiras decorrentes da passagem pelo cárcere. O programa é fruto da parceria entre o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ/MA), por meio da Escola Superior da Magistratura do Maranhão (ESMAM) e da Unidade de Monitoramento do Sistema Carcerário (UMF), a Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE/MA), a Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) e o Instituto Mulheres do Brasil.

    “O Iyá é, acima de tudo, um lugar de reencontro entre mulheres. E essas mulheres que vão para o cárcere, quando voltam, precisam de um recomeço, precisam de acolhimento. E o Iyá é esse lugar de acolhimento, de afeto e aqui elas conseguem falar de suas vidas e de sua vontade de recomeçar, recebendo apoio necessário”, explicou a chefe de Divisão de Cidadania e Direitos Humanos da UMF- TJ/MA, Cláudia Gouveia.

     

     

     

     

     

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