Defensoria Pública do Maranhão recebe lançamento de obra sobre vivências femininas no cárcere

    O silêncio, que por muito tempo cercou as experiências de mulheres que passaram pelo sistema prisional, ganhou voz, escuta e acolhimento. O livro “Ecos do Cárcere – A Experiência das Mulheres no Sistema Prisional Brasileiro”, reúne relatos, artigos e vivências de mulheres que, de diferentes formas, tiveram suas trajetórias marcadas pela privação de liberdade, foi lançado nesta terça-feira (26), na sede da Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE/MA)

    Entre juízas, defensoras públicas, promotoras, servidoras, egressas e outras participantes, o livro constrói um mosaico de experiências que lança luz sobre a realidade do encarceramento feminino no Brasil e sobre os impactos que ultrapassam os muros das prisões.

    A defensora pública do Núcleo de Execução Penal da DPE/MA e coordenadora do programa IYÁ, Suzana Camillo da Silveira Castello Branco, está entre as autoras do livro. No artigo dedicado ao programa, o IYÁ é apresentado como uma tecnologia social voltada ao fortalecimento da autonomia econômica e emocional de mulheres egressas, por meio de mentoria afetiva, construção de redes de apoio e incentivo ao protagonismo feminino.

    “É uma honra realizar o lançamento do livro Ecos do Cárcere aqui na Defensoria Pública. Esse livro é uma coletânea e tenta falar da vivência, da nossa prática dentro do sistema prisional e propor programas e soluções em conjunto com as instituições que buscam sair dessa ideia de que a execução penal se resume a vagas dentro de unidade prisional. A ideia é mostrar que é possível uma execução penal com trabalho, com estudo e principalmente com a escuta dessas mulheres, para que elas tenham um futuro com dignidade”, pontuou a defensora e escritora, Suzana Camillo.

    Presente no lançamento do livro, o defensor público-geral Gabriel Furtado destacou a importância social da obra: “Um conjunto de memórias e histórias escritas por quem participa e por quem vivencia a realidade da execução penal, Ecos do Cárcere é uma grande obra. Para a Defensoria Pública, que acredita na ressocialização como alternativa, ao apoiar iniciativas como essa estamos contribuindo para um mundo mais justo, mais igualitário e mais inclusivo”.

    Mais do que um lançamento literário, o encontro se transformou em um espaço de reflexão sobre dignidade, direitos humanos e reconstrução de histórias. A programação contou com a palestra do escritor, egresso do sistema prisional e fundador da editora Marroca, Samuel Lourenço Filho, responsável pela publicação da obra. Em sua fala, ele destacou a importância de transformar vivências em instrumentos de conscientização e mudança social.

    As escritoras participantes também compartilharam suas percepções e experiências, entre elas Suzana Camillo; a servidora da DPE/MA, mestranda em Estudos Criminológicos pela Uema e egressa do sistema prisional Doris Lima, cuja trajetória emocionou o público presente ao reforçar a potência da escuta e da oportunidade de recomeçar; a promotora de Justiça do Maranhão, Gabriele Gadelha Barboza; e as advogadas Olívia Castro dos Santos e Janaína Dos Santos Jansen.

    Encerrando a programação, as autoras participaram de uma sessão de autógrafos. Entre abraços, conversas e páginas assinadas, o evento reafirmou a importância de dar visibilidade a narrativas muitas vezes silenciadas, histórias de dor, resistência e esperança que precisam ser conhecidas, compartilhadas e, sobretudo, humanizadas.

    O evento contou ainda com a presença do segundo subdefensor-geral do Estado, Paulo Costa, do procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Maranhão, Danilo Castro, a defensora pública diretora de Assuntos Institucionais e Estratégico, Maiele Morais, além de representantes da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e outras autoridades.

     

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