Após reestruturação de núcleos, DPE/MA realiza 1°atendimento coletivo a mães atípicas e reforça defesa do direito à saúde

    A Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE/MA) realizou, nesta terça-feira (03), no edifício-sede da instituição, em São Luís, atendimento coletivo a mães atípicas que integram o projeto “Mãos que Acolhem”. A ação foi conduzida pelo Núcleo de Proteção da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência, com apoio do Centro Integrado de Apoio à Pessoa com Deficiência (Ciapd), com o objetivo de oferecer escuta qualificada e orientação às famílias na busca por seus direitos junto ao poder público.

    De acordo com o defensor público Cosmo Sobral, titular do Núcleo de Proteção da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência, as crianças e adolescentes assistidos apresentam deficiências múltiplas, geralmente decorrentes de doenças crônicas ou má formações genéticas. “Essas mães relatam a falta de assistência, especialmente na área da saúde, como medicamentos que não são fornecidos ou têm o fornecimento interrompido, fraldas em tamanhos inadequados e ausência de cadeiras de rodas. Vamos formalizar todas as solicitações e iniciar o diálogo com as autoridades competentes, tanto no campo do direito individual, quanto na esfera coletiva. Esperamos resolver a partir de um diálogo institucional. Se houver necessidade de judicializar, nós faremos”, afirmou.

    A mobilização surgiu a partir de solicitação espontânea do movimento social “Mãos que Acolhem” ao Ciapd. “O projeto procurou a Defensoria Pública com o objetivo de acessar direitos que estão sendo negados. São mulheres que nos buscam diariamente para que seus filhos recebam os insumos e as fraldas de que necessitam, diante de suas especificidades, além de questões relacionadas a transporte e traslado”, explicou a coordenadora do Ciapd, Maelle Medeiros.

    Criado há seis anos, o projeto “Mãos que Acolhem” nasceu da experiência pessoal de Ana Cláudia Arruda, mãe de uma criança com deficiência e presidente da iniciativa. Atualmente, o grupo atende diretamente mais de 80 famílias e, por meio de parcerias, alcança até 500 pessoas na Grande Ilha.

    “Criei o movimento a partir da minha própria vivência, com a intenção de acolher mães, já que tenho um filho com microcefalia, o João Gabriel, de 9 anos. Fazemos visitas, mantemos contato direto com as mães e nos tornamos, de fato, uma família. Conseguimos ampliar essa abrangência e nos tornamos referência nesse acompanhamento. Vimos, por meio da Defensoria, um caminho de acolhimento e de tomada de decisões, principalmente no que diz respeito às demandas sensíveis relacionadas à pessoa com deficiência”, destacou.

    Além das fraldas, o coletivo apontou como demandas urgentes a aquisição de cadeiras de rodas e de banho, camas hospitalares e dieta enteral, incluindo os insumos necessários para gastrostomia — procedimento indicado para garantir nutrição e hidratação seguras em casos de patologias neurológicas ou neuromusculares, entre outras condições.

    Segundo Cosmo Sobral, a iniciativa marca a primeira grande atividade coletiva após a reestruturação dos Núcleos da Saúde e de Proteção da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência, implementada no final de fevereiro de 2026. “Com a reestruturação, conseguimos ter mais tempo para nos dedicar a essas demandas. Esta é a primeira grande atividade coletiva que estamos recebendo no Núcleo de Defesa da Pessoa com Deficiência”, concluiu.

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